O Mito do mercador burguês Fernão Gomes

 

A figura de Fernão Gomes tem sido usada pela “Historiografia burguesa e progressista” como exemplo maior para atribuição de especial relevância à suposta iniciativa mercantil privada burguesa na gesta dos Descobrimentos no sec. XV. Isto, a par de um pretenso desinteresse do rei D. Afonso V pela gesta marítima.

Mas afinal quem terá sido Fernão Gomes?

*No século XVI, João de Barros e Damião de Góis forjaram uma imagem falsa do rei D. Afonso V que perdurou até aos nossos dias e que continua a ser veiculada nas escolas deste país. Reza a estória contada pelos cronistas, que o Africano foi um monarca desinteressado dos Descobrimentos… e acabara por arrendar a exploração dos mares a um particular Fernão Gomes um honrado cidadão de Lisboa, nas palavras de Barros, abusivamente transformado num burguês por certa historiografia do século XX, apesar da documentação coeva o referir em 1469 como escudeiro da Casa Real, e sendo certo que a expressão cidadão honrado, na lógica da cronística quinhentista, deve ser associada aos indivíduos com foros de nobreza… * (Professor João Paulo Oliveira e Costa)

Ou seja, Fernão Gomes era um escudeiro da Casa Real como o foram tantos outros que dirigiram expedições navais no sec. XV. Era de família nobre enquanto filho de Tristão Gomes de Brito, que se dizia ser descendente por linha varonil dos antigos de Brito. Nas suas viagens contou com a colaboração de cavaleiros da Casa Real, como João de Santarém e Pêro Escobar (decerto com autorização ou mesmo por determinação régia).
Fernão Gomes esteve nas conquistas do Norte de África, sendo armado cavaleiro por D. Afonso V em Tânger.
A 29 de agosto de1474, recebe brasão de carta de armas novas e consequentemente a condição de fidalgo de cota de armas, juntamente com o apelido Minas.
Sim, em 1469, obteve o arrendamento do monopólio do contrato de comércio do Golfo da Guiné, mas também a obrigação de explorar 100 léguas anuais da costa africana; Não, não era um mercador particular burguês do povo, mas sim um pequeno nobre e escudeiro régio e foi por determinação e ao Serviço do Rei que agiu antes de qualquer outra coisa…

Comentários