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Nacionalismo

Nos últimos dois séculos, o Nacionalismo tem sido um elemento central da sociedade e da política. Nenhuma ideologia conseguiu igualar a sua força e as suas repercussões, e nenhum movimento político teve a mesma importância no mundo. Proposições básicas: O mundo está dividido em nações, cada uma com o seu propósito caráter, história e destino. A nação é a única fonte do poder político. A lealdade à nação supera todas as outras lealdades. Para ser livre, todo o indivíduo tem de pertencer a uma nação. Uma nação exige liberdade de expressão e autonomia totais para si. A paz global e a justiça exigem um mundo constituído por nações autónomas. Propriedades sagradas da nação: A crença na eleição étnica, a ideia de nação como povo eleito encarregado de uma missão especial ou que tem um pacto exclusivo com a divindade. Uma afinidade com um território sagrado, uma pátria ancestral santificada por santos, heróis e sábios, assim como pelos túmulos e monumentos dos antepassados. Memór...

O Mito do mercador burguês Fernão Gomes

  A figura de Fernão Gomes tem sido usada pela “Historiografia burguesa e progressista” como exemplo maior para atribuição de especial relevância à suposta iniciativa mercantil privada burguesa na gesta dos Descobrimentos no sec. XV. Isto, a par de um pretenso desinteresse do rei D. Afonso V pela gesta marítima. Mas afinal quem terá sido Fernão Gomes? *No século XVI, João de Barros e Damião de Góis forjaram uma imagem falsa do rei D. Afonso V que perdurou até aos nossos dias e que continua a ser veiculada nas escolas deste país. Reza a estória contada pelos cronistas, que o Africano foi um monarca desinteressado dos Descobrimentos… e acabara por arrendar a exploração dos mares a um particular Fernão Gomes um honrado cidadão de Lisboa, nas palavras de Barros, abusivamente transformado num burguês por certa historiografia do século XX, apesar da documentação coeva o referir em 1469 como escudeiro da Casa Real, e sendo certo que a expressão cidadão honrado, na lógica da cronística qui...

Os Lusíadas - seleção de referências

Nos quinhentos anos do nascimento de Luís de Camões (1524-1525), publico as referências (desordenadas) que fiz ao longo de muitas leituras de "Os Lusíadas", as quais permitem aceder a versos selecionados rapidamente: As Quinas: 3-53ss; 4-25; 8-19. Valor das obras portuguesas: 2-86; 2-111; 2-113. Feitos portugueses: 1-5; 1-74; 2-44ss; 3-3; 3-5; 4-74; 6-29ss; 7-14; 7-77; 8-2; 8-35; 10-10ss; 10-13; 10-71; 10-147ss. Amor à Pátria, Guerra pela Pátria: 1-10; 3-20; 3-21; 4-15; 5-99ss; 10-9. Pátrio Marte: 4-15; 6-56; 7-55ss; 10-153. Deslealdade à Pátria, Traidores: 4-13; 4-15; 4-32ss. Traições: 8-52. Lealdade, Disciplina e Fidelidade dos Portugueses: 5-71ss; 5-90; 7-72. Decadência da Pátria: 8-39; 10-145. Futuro de Portugal: 7-77; 10-74; 10-107; 10-152. Fama e Invencibilidade portuguesa: 1-1ss; 1-31; 2-54; 4-56; 6-33; 6-83; 7-55ss; 7-71; 9-45; 10-74. Fúria, Coragem a Ânimo português: 1-1ss; 2-55; 3-81; 8-36; 10-147ss. Justiça, Mérito: 2-46; 9-93ss. Adulação: 9-27; 10-24...

O Brasão de Portugal

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- Das Quinas - Quanto à sua origem e significado, a versão mais antiga que se conhece foi divulgada pelo conde D. Pedro (filho bastardo do rei D. Dinis), 1287-1350, na sua "Crónica Geral de Espanha", de 1344. No capítulo DXLI, intitulado "Como e por qual razão chamaram o condado de Portugal", escreve:   ... foy posto o nome a terra Portugal. E quando el rei dom Afonso deu esta terra ao conde dom Henrique em casamento com sua filha, mandou que lhe chamassem o condado de Portugal. E este conde dom Henrique houve um filho desta sua mulher dona Teresa, que houve o nome dom Afonso e foi feito rei  em na batalha que houve com os V reis em o campo de Ourique. E, depois da lide, mudou os sinais das suas bandeiras, cá, antes da lide, trazia as armas brancas como seu padre e, depois da lide, pôs em no seu pendão V escudos azuis, por memória dos V reis que vencera, e pose-os em cruz, por relembrança da cruz em que Nosso Senhor Jesus Cristo teve as espáduas, e, em cada um e...

Império Bizantino?

É já um hábito, que quase ninguém questiona, assinalar um dito Império Bizantino constituído aquando da fundação da cidade de Constantinopla, a Nova Roma do Imperador Constantino, em 324 d.C., e extinto em 1453 por conquista dessa cidade pelos turcos otomanos do Sultão Maomé II. Apenas é de não esquecer que se trata de uma designação que muitos aceitam por mera conveniência. Na realidade, o Império Bizantino nunca existiu. O que houve foi um Estado Romano, o Império Romano do Oriente, cuja capital era Constantinopla. Os seus habitantes apelidavam-se, a si próprios, de romaioi  (romanos), ou simplesmente cristãos, e chamavam ao seu país  Romania. Só eram designados como  byzantios  aqueles que fossem especificamente naturais da cidade de Constantinopla, cujo núcleo original, era a antiga cidade grega de Bizâncio, que compreendia uma pequena área da nova cidade expandida por Constantino. Para os europeus ocidentais, os habitantes da parte oriental do Império Romano eram geralmente den...

As Cartas de Brasão de Armas

As cartas de brasão de armas eram documentos públicos que conferiam oficialmente a um determinado indivíduo o direito ao uso do brasão de armas nelas definido juntamente com o reconhecimento da sua condição de nobre, no mínimo de fidalgo de cota de armas ou então de fidalgo de linhagem caso já descendesse de fidalgos. Consoante o diploma, podem ser classificadas da forma seguinte: Cartas Régias de Mercê Nova - diplomas de criação e concessão pelo Soberano de um brasão novo a favor de um indivíduo e transmissível a todos os descendentes (a primeira conhecida é de 1438). Cartas Régias de Nobreza por Certidão - diplomas pelos quais os oficiais públicos competentes (o Rei de Armas Portugal), em seu nome e por autoridade das suas funções, reconheciam, ordenavam e certificavam, bem como registavam em favor de determinado indivíduo já nobre, um brasão de armas a que tivesse direito por seus ascendentes. Cartas Régias de Brasão de Armas de Nobreza e Fidalguia - diplomas pelos quais o So...

A Batalha de Ourique, os Cinco Reis Mouros

A batalha de Ourique foi travada aos 25 dias de Julho de 1139, dia de Santiago, no Alentejo, com as fases cruciais do confronto a ocorrerem na colina de São Pedro das Cabeças, entre as forças do nosso primeiro rei e um exército islâmico almorávida. Está diretamente associada à aclamação de Afonso Henriques como rei pela nobreza guerreira, logo antes do confronto ou logo depois, passando o infante a intitular-se Rei dos Portugueses, sem qualquer autorização de Afonso VII de Leão e Castela, Imperador da Hispânia. À época, a povoação mais relevante nas proximidades era a de Ourique, mas hoje é a vila de Valverde situada 4 km a noroeste de São Pedro das Cabeças. A assinalar o local, temos um monumento de 1940 completado por outro de 1989, bem como uma pequena ermida mandada fazer pelo rei D. Sebastião, em 1573, no mesmo sítio onde existia uma outra, rústica e então em derrocada, mandada erigir pelo próprio D. Afonso Henriques logo depois da batalha. A crónica  Vida de São Teotónio (1082 ...